
Água de poço pode ser cristalina e, ainda assim, não ser potável. Bactérias, nitrato e boa parte dos metais não mudam cor, cheiro nem sabor — só aparecem em laboratório. Se você já decidiu analisar a água do seu poço e está procurando onde fazer, este artigo explica o que é analisado, por que o valor varia tanto de um orçamento para outro e como é feita a coleta.
Por que analisar a água do poço
- Contaminação microbiológica: poço mal vedado, laje de proteção trincada ou fossa próxima deixam entrar bactérias de origem fecal;
- Nitrato: costuma indicar influência de esgoto ou de fertilizantes e é especialmente arriscado para bebês;
- Ferro e manganês: comuns em água subterrânea, causam manchas em louças e roupas, gosto metálico e incrustações;
- Exigência legal: quem abastece outras pessoas com água de poço precisa de laudo periódico pela Portaria GM/MS nº 888/2021.
O que é analisado
Parâmetros microbiológicos
Coliformes totais e Escherichia coli. A E. coli indica contaminação fecal, e o padrão é ausência em 100 mL. É a análise mais importante para quem bebe a água do poço.
Parâmetros físico-químicos básicos
pH, cor, turbidez, condutividade, dureza, ferro, manganês, nitrato, nitrito, fluoreto, cloreto e sólidos dissolvidos, entre outros. Eles mostram se a água tem aparência e composição adequadas e ajudam a diagnosticar problemas no poço e no reservatório.
Análise completa da Portaria 888
Inclui também os parâmetros inorgânicos (metais como arsênio, chumbo, cádmio e mercúrio), orgânicos e agrotóxicos do padrão de potabilidade. Para quem opera uma solução alternativa coletiva — condomínio, escola, indústria com poço —, esses “demais parâmetros” são exigidos a cada seis meses, e a água bruta do poço também precisa ser analisada semestralmente (art. 42). Detalhamos essa frequência no artigo sobre laudo de potabilidade.
Quanto custa a análise de água de poço
Não existe preço único porque “análise de água” cobre produtos bem diferentes. O que muda o valor:
- A finalidade do laudo: confirmar a potabilidade para a família, atender à Vigilância Sanitária como solução alternativa coletiva, uma indústria de alimentos ou uma exigência de licenciamento pedem conjuntos de parâmetros diferentes;
- A quantidade de parâmetros: um pacote microbiológico com físico-químicos básicos é muito menor que a análise completa da Portaria 888;
- O número de pontos: só o poço, ou também o reservatório e as torneiras de consumo;
- Quem faz a coleta: com coleta feita pelo laboratório, os frascos certos, o transporte refrigerado e o registro de data e hora já estão incluídos;
- A recorrência: quem tem plano de amostragem mensal costuma contratar o calendário inteiro, e não análises avulsas.
Por isso, compare orçamentos pelo que eles entregam — mesma lista de parâmetros, mesmos pontos, coleta incluída ou não — e não só pelo valor. Ao pedir o seu, diga para que o laudo será usado: é isso que define o escopo certo e evita pagar por parâmetros desnecessários ou ter um laudo recusado por falta de algum.
Como é feita a coleta
A coleta pesa tanto no resultado quanto a análise. Uma amostra mal coletada pode acusar contaminação que não existe — ou esconder uma que existe. Os cuidados básicos:
- Frascos próprios para cada ensaio: estéreis para a microbiologia, e com preservante específico para alguns parâmetros químicos. Garrafa reaproveitada invalida a amostra;
- Ponto de coleta certo: torneira na saída do poço para a água bruta, e os pontos de consumo para a potabilidade — nunca mangueira ou torneira com filtro;
- Transporte refrigerado e prazo curto entre a coleta e o início dos ensaios, definido pelo método de cada parâmetro;
- Registro de local, data e hora, que dão rastreabilidade ao laudo.
Kit de teste caseiro substitui o laudo?
Não. Tiras e kits dão uma indicação de poucos parâmetros, como pH ou cloro, e servem para acompanhamento no dia a dia. Eles não detectam a maior parte do que a Portaria 888 exige e não têm validade como laudo. Para valer perante a Vigilância Sanitária, a análise precisa vir de laboratório com sistema de gestão da qualidade conforme a ABNT NBR ISO/IEC 17025 e métodos reconhecidos (arts. 20 e 22 da portaria).
Com que frequência analisar
Para soluções alternativas coletivas, a frequência é a da portaria: mensal para microbiologia, cor e pH, e semestral para os demais parâmetros. Para a casa de uma única família não há obrigação, mas a recomendação é analisar ao menos uma vez por ano e sempre que:
- o poço for perfurado, aprofundado ou passar por manutenção;
- houver enchente ou obra próxima, como fossa ou rede de esgoto;
- a água mudar de cor, cheiro ou sabor;
- houver casos de diarreia ou outros problemas gastrointestinais na casa.
Onde fazer análise de água de poço em Goiânia
A Conágua Ambiental analisa água de poço há 30 anos. O laboratório fica em Senador Canedo, na região metropolitana de Goiânia, e a coleta é feita pela nossa própria equipe em Goiânia e região — com os frascos certos, transporte refrigerado e laudo técnico assinado e rastreável. Somos acreditados pelo INMETRO (CRL 0239) e habilitados pela ANVISA na REBLAS.
Se o poço ainda não tem outorga, vale ler também o guia de outorga de poço artesiano em Goiás: quem fornece água de poço a outras pessoas precisa dos dois documentos. Para a análise, peça seu orçamento informando a finalidade do laudo.
